Iniciativa apresentada em audiência pública propõe integrar universidades, poder público e sociedade civil para promover saúde, qualidade de vida e planejamento urbano por meio da gestão do ambiente sonoro.
A gestão do ambiente sonoro urbano esteve em pauta na audiência pública sobre perturbação do sossego e poluição sonora em Erechim, com a apresentação da proposta de criação do Observatório do Som. A iniciativa busca articular conhecimento científico, gestão pública e participação social para transformar demandas recorrentes da população em ações estruturantes de prevenção, planejamento e promoção da saúde.
A proposta parte do entendimento de que o som nas cidades não deve ser tratado apenas como uma questão de fiscalização ou de resposta a reclamações individuais. Os conflitos sonoros também revelam desafios relacionados ao uso e à ocupação do solo, à convivência entre diferentes atividades urbanas, à qualidade ambiental e às condições de vida da população.
Do enfrentamento dos conflitos à gestão preventiva
A poluição sonora pode comprometer o sono, intensificar o estresse, prejudicar o bem-estar e afetar as relações de vizinhança. Por isso, sua abordagem exige uma perspectiva integrada, que considere tanto os efeitos sobre a saúde quanto os fatores urbanos e sociais que contribuem para a ocorrência dos conflitos.
Nesse contexto, o Observatório do Som propõe avançar de uma atuação predominantemente reativa, centrada em denúncias e medidas emergenciais, para uma gestão preventiva e intersetorial do ambiente sonoro. A perspectiva é fortalecer a capacidade do município de identificar problemas, compreender suas causas e desenvolver soluções duradouras.
Ciência, gestão pública e participação social
A proposta prevê a articulação entre universidades, Poder Legislativo, gestão municipal e sociedade civil, envolvendo áreas como Saúde, Cultura e Meio Ambiente, entre outras. Essa cooperação poderá contribuir para a produção e a sistematização de dados, a elaboração de mapas sonoros, a identificação de áreas críticas, o desenvolvimento de ações educativas e a mediação de conflitos.
A iniciativa também busca aproximar o conhecimento técnico das experiências cotidianas dos moradores. A escuta da comunidade é compreendida como parte fundamental do processo de identificação de problemas e de construção de respostas adequadas às características de cada território.
O Observatório poderá, assim, contribuir para qualificar o planejamento urbano, subsidiar decisões públicas e promover uma cultura de corresponsabilidade, na qual a prevenção, a educação cidadã e o respeito mútuo complementem as ações de fiscalização.
Um investimento na qualidade de vida urbana
Mais do que uma estrutura de monitoramento, o Observatório do Som é concebido como um instrumento de inteligência pública e planejamento. Ao reunir informações, conhecimentos e demandas sociais, a iniciativa pretende ampliar a capacidade institucional de enfrentar problemas recorrentes e reduzir a dependência de respostas emergenciais.
A proposta também representa uma oportunidade de inovação para Erechim, ao aproximar ciência, participação cidadã e políticas públicas na construção de estratégias para o desenvolvimento urbano sustentável.
Planejar o ambiente sonoro é também planejar a convivência na cidade.
Ao reconhecer o som como uma dimensão da saúde, do ambiente e da vida coletiva, Erechim poderá avançar na construção de espaços urbanos mais saudáveis, inclusivos e habitáveis.
A criação do Observatório do Som constitui, nesse sentido, uma proposta de construção coletiva: transformar a escuta da população em conhecimento, o conhecimento em planejamento e o planejamento em políticas públicas comprometidas com a qualidade de vida.